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9 de setembro de 2014

Uma manhã rara na biblioteca

Laurentino Gomes no O Globo via Blog CRB-6

Nas últimas duas décadas tenho frequentado algumas bibliotecas famosas em busca de fontes para meus livros. Nada, porém, se comparou à sensação de cruzar o portão daquela casa da Rua Princesa Isabel, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Frequentei a Biblioteca Mindlin uma dezena de vezes no final de 2006, um ano antes da publicação do meu primeiro livro “1808”. Minhas visitas eram sempre pela manhã. A biblioteca estava situada nos fundos, junto ao muro coberto de heras — uma construção moderna, de linhas discretas, em dois andares, sombreada por uma jabuticabeira. Ao abrir a porta, sentia-se o cheiro suave e inconfundível dos livros antigos.

Lá dentro imperava um silêncio religioso, quebrado de vez em quando pela voz das “três graças”, como Mindlin se referia às três mulheres que guardavam sua biblioteca. Cristina Antunes era responsável pela catalogação. Rosana Gonçalves respondia pelo acervo de periódicos e de fotografias. Elisa Nasarian cuidava dos arquivos de terceiros, da correspondência e da agenda de Mindlin.

23 de dezembro de 2013

Um rato na biblioteca

Por Menalton Braff para o Carta Capital.

Meu fascínio por biblioteca vem de longe, vem do tempo em que subia numa cadeira para escolher algum livro do meu agrado para roer com a voragem de principiante. Era a biblioteca do meu pai, a primeira que frequentei sem ainda ter noção do que fosse uma biblioteca, pois aquilo tinha cara de ambiente natural, apenas mais um cômodo da casa.

Mas a biblioteca do meu pai não era lá muito rica em literatura e, quando nos mudamos para Carazinho, norte do Rio Grande do Sul, tinha já roído tudo que havia para roer em casa, então desci da cadeira. Estava numa idade em que as ruas de uma cidade não me assustavam mais. Melhor ainda, nossa casa ficava a três quarteirões do prédio da prefeitura. Não me lembro de como descobri, o certo é que um dia me encontrei em uma sala daquele vetusto prédio conversando com a moça que ficava sentada atrás de uma escrivaninha, sobre a qual uma caixinha de madeira continha milhares de fichas.